O adeus de Raphael Veiga
Tem muita especulação rolando, mas sabemos que não sabemos de nada, pois o Palmeiras hoje é um clube blindado.
O Começo de 2026 não é feliz, 2025 foi um ano frustrante. O Palmeiras tentou uma estratégia ao melhor estilo Botafogo de 2024: comprar muitos jogadores, formar um time competitivo, físico e com jogadores querendo vencer, pra tentar conquistar algo e rapido. Não funcionou. Diferentemente da estratégia adotada por John Textor um ano antes, Leila Pereira não conseguiu capitalizar um ano vencedor, fato que reverberou inclusive no conselho. Leila foi cobrada e, ao ser pressionada não reagiu bem.
Ciente desse bastidor, que, vazou literalmente, já que temos audios da cobrança e da resposta de Leila, não surpreendeu tanta gente o fato da tentativa de transferência de responsabilidade. Apesar da postura combativa e elogiada que Leila tem da porta pra fora, ao ser interpelada por qual seria o motivo, ou os motivos do ano sem título, Leila citou lances que julgou responsáveis pela não conquista de título algum em 2025. Evidentemente os jogadores que correm, se dedicam e querem vencer mais que qualquer um, tomaram ciência e não gostaram.
Sem uma fonte clara, vazou a possibilidade da insatisfação do Veiga ser com a direção. Não sabemos exatamente o que levou Veiga de, melhor meia do Brasil, ter se tornado um jogador que demonstra uma precoce queda física. Bom eu tenho uma teoria que o problema não foi exatamente uma queda física, você pode ouvir essa análise em audio, no Podcast da Coluna Palmeiras, esse não é o foco desse texto. O foco é falar sobre como o ego de uma bilionária, que não nega uma eventual tentativa de mudança de estatuto, em benefício próprio, pode ter atrapalhao a passagem, agora fim de passagem, do maior ídolo de uma geração de palmeirense.
A falta de conexão com o fator idolatria, é uma grande porta de entrada para que um clube perca identidade e desengaje torcedores. Vencer é importante e é o mais importante. Não dependemos do Veiga para vencer, mas podemos contar com ele para isso. Quanto melhor Veiga se apresentou, mais vencemos, desde a chegada de Abel Ferreira. A era Abel, muitas vezes assim chamada por atribuir crédito ao treinador, pode perfeitamente ser a era Veiga. Identificação que Abel nunca terá, gols em final, cumprimento de uma promessa para um avô palmeirense, foto de criança na arquibancada do Palestra Itália. O kit é completo, Veiga é um dos nossos.
Para não perder o raciocínio, um desentendimento entre Veiga, para definição de seu futuro e a atual diretoria pode ter sido o estopim da saída. Ao tentar entender como ele ainda se encaixa na estrutura organizacional, não foi correspondido e foi jogado numa vala comum, tratado como se fosse qualquer jogador. Sim, jogadores, funcionários, vejam como quiser, como Veiga, merecem tratamento especial. Ele não é Bruno Rodrigues, jogador que teve um claro gesto de indisciplina no período de férias e que, tem se apegado a tudo que pode para continuar no clube. Veiga não é assim.
Uma das principais figuras para jovens, que vem da base e são peças fundamentais do nosso atual patamar financeiro, disciplinado em campo, disciplinado fora dele, vencedor. Tudo que é necessário para ser considerado um ídolo, um funcionário acima da média. Sabemos que ele perdeu muito do núcleo vencedor que o acompanhou na sua recente caminhada, vimos muitos desses serem tratados como quaisquer, independentemente dos serviços prestados, saindo para locais que os aceitassem. É possível que Veiga tenha percebido isso.
A ida ao America cumpre algumas premissas positivas, que mostram o caráter do Veiga inclusive em sua saída. Sem jogar em rival, sem enfrentar o Palmeiras. Experiência internacional, que diversas vezes foi dito ser a única coisa que poderia tira-lo do Palmeiras. Ele sempre disse que se sentia no auge do que ele podia querer pra si. A oportunidade de ser trainado pelo tecnico brasileiro mais emergente ao lado de Filipe Luis. Veiga está em seu auge tecnico e não está em declínio físico. O time do Palmeiras mudou, Abel entende que Veiga só pode ser importante vindo do banco, a famosa perda de espaço.
Quem consome meu conteúdo sabe que sempre coloco o Palmeiras acima de tudo e todos. A instituição fica, todo jogador passa. Porém é impossível desassociar ídolos que compartilham o sentimento do que é ser palmeirense conosco, do que á instituição. O tratamento ao Veiga não é negativo apenas em relação a ele, é negativo em relação a cada um de nós. É negativo em relação à instituição.
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