Não importa a escalação, o padrão é jogar mal


 Jogo as 20:30 de um domingo, por um Paulistão que ocorre em paralelo ao campeonato brasileiro, time reserva escalado, é garantia de mau futebol por parte do Palmeiras. Eu poderia desenvolver meu raciocínio a partir desse ponto de vista, mas o fato é que, mesmo nas vitórias, na atual temporada, o time não jogou bem.

Não teria como ser diferente em um jogo com as nuânces do parágrafo anterior, o Palmeiras joga mal e cheira a time mal treinado. Nas redes sociais muitos já questionam o investimento e o valor empregado nos jogadores que compõe o atual plantel. A receita da insatisfação é clássica, é tudo culpa da diretoria que contratou errado e que não faz nada para reverter a situação. A diretoria tem sim sua parcela de responsabilidade, mas o atual problema é campo e bola.

Há um pacto tacito entre torcida e Abel (pra quem aceita o pacto), que é ter paciência com o português, até que ele encontre o jeito de jogar, com uma formação específica. Abel não piorou, não melhorou, essa é a abordagem desde sempre. Em 2020 tudo fluiu em meio ao caos pandêmico. Em 2021, fomos eliminados pelo CRB e medíocres no Brasileirão, a despeito de uma menor concorrência, até que Abel encontrasse Scarpa aberto pela esquerda, Dudu pela direita e Rony no comando de ataque, dando profundidade e amplitude ao time. 2022 foi o amadurecimento de jogadores jovens ou, não tão jovens, porém dentro dessa ideia de jogo. 2023 fluia quase como 2022, porém Dudu machucou e as coisas desandaram. Artur vindo de um dos melhores jogadores do país, pelo Bragantino, parecia não se encaixar, as tentativas falharam, até que o talento geracional de Endrick, alinhado a uma maior solidez defensiva salvaram Abel e a temporada (além de uma derrocada sem precedentes do Botafogo).

2024 não foi exceção. Foi um ano muito menos vitorioso e com um título mais dificil que o esperado contra um Santos, que disputaria a série B. A saída de Endrick cobrou, Abel custou a achar um time e, achou uma Estevãodependencia. Não foi suficiente, por melhor que Estevão fosse, as oportunidades em que Felipe Anderson foi o que esperávamos foram poucas, Mauricio flutuou bastante de rendimento, muito teste, sempre em torno de uma ideia de jogo que parece datada e que funciona muito mais "fazendo força", que fluindo. 2025 não é digno de aprofundamento nesse texto, porém flutuamos diversas vezes de time disfuncional, a ser chamado por parte de imprensa de melhor futebol do Brasil, até ser o único finalista de Libertadores a não acertar o gol na decisão.

O fato é, Abel não varia. A estratégia de treinar a todos da mesma forma, aparentemente cobra um preço muito alto. O padrão é jogar mal. Quando as facilidades surgem, elas costumam estar ancoradas em talentos específicos, quando as dificuldades prevalecem, viram a marca do time. O final de 2025 e o começo de 2026 se misturam em uma terrível sensação de falta de criatividade, meio campo disfuncional, lentidão e chutão. Temos Marlon Freitas e Andreas Pereira e dificuldade de circular a bola. O problema não é talento, o problema é sistema. 

Cabe a nós aceitar mais uma vez o pacto tátcito onde, Abel peleja até encontrar um único time, com um único jeito de jogar, ou exigir mais variação, coisa que nunca vimos com Abel, fora de extremas necessidades, nunca por opção. 

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